Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

Teresa

A primeira vez que vi Teresa
Achei que ela tinha pernas estúpidas
Achei também que a cara parecia uma perna

Quando vi Teresa de novo
Achei que os olhos eram muito mais velhos que o resto do corpo
(Os olhos nasceram e ficaram dez anos esperando que o resto do corpo nascesse)

Da terceira vez não vi mais nada
Os céus se misturaram com a terra
E o espírito de Deus voltou a se mover sobre a face das águas.

(Manuel Bandeira)

Sexta-feira, 6 de Março de 2009

O Casamento de Rachel

Logo no começo desse filme, comecei a divagar: porque ultimamente (uns 10 anos) tem aparecido tanto filme "família se reune para algum evento e todos os problemas afloram"? Mais estranho que isso é o fato de eu em geral gostar desses filmes. Esse não foi diferente.
Um diferencial desse é que ele é um pouco mais centrado num dos personagens: a irmã da tal Rachel, que acabou de sair de uma clínica de reabilitação.

PS - Gostei do casamento meio indiano meio havaiano ou coisa parecida. Desse jeito até eu topava casar (sempre falei que casaria se fosse como festa junina).

Sexta-feira, 20 de Fevereiro de 2009

Café?

Terça-feira, 10 de Fevereiro de 2009

O Curioso caso de Benjamin Button

Diálogo meu com a Tomate Vermelho antes da escolha do filme:
Ela: Qual você quer ver?
Eu: Ah, pode ser o do Brad Pit. Ele aparece em quase todos os filmes bons.
Ela: Fala um que eu ele não estava.
Eu: No primeiro Matrix.

E é verdade. É incrível como dentro dos "filmes hollywood", o Brad Pit é presença constante entre os melhores (depois a gente ficou tentando lembrar de alguns exemplos do contrário: filmes ruins em que ele está. Tem alguns, ninguém é perfeito (mesmo casando com a Angelina Jolie)). E, a propósito, o diretor deste filme parece saber desta qualidade do ator: é dele a direção também em Se7en e Clube da Luta.

Quanto a esse filme, está longe de ser um dos melhores dele. Mas ainda assim é muito superior à média. Tem um história tipo Retrato de Dorian Gray, o garoto nasce com 80 anos e vai rejuvenescendo. Tem um lado dramático um pouco mais forte, mas há muitas passagens de humor também. E, por conta da maneira a ser contado e da vida do personagem, lembra muito o Forrest Gump.

PS - Por pouco não tem a melhor cena de atropelamento que eu já vi. Não que eu lembre de uma melhor ou tenha uma lista das melhores. Mas é que ela estava incrivelmente boa, até ser acrescentada uma passagem que eu realmente achei que sobrou.

PS2 - Ir no cinema é igual andar de bicicleta (não ia desde Setembro).

Domingo, 18 de Janeiro de 2009


Eu passo por períodos de negócio, o que geralmente me deixa muito ocupada, mas no fundo, de vez em quando, um pouco vazia. Uma falta de sentido que é difícil de ser vista do lado de fora e, consequentemente, podendo ser interpretada como uma falta de coro. Pode até ser. Mas a vida é mais do que negar o ócio. O problema é que o ócio pra mim também não funciona muito bem. O perfeito seria um negócio virado para o que está em mim. Algo bem egocêntrico, como diria um amigo meu de nome composto por três nomes, é uma longa história... Bem, mas o caso é que tenho me sentido sem sentido. A intensidade é algo tão importante e não a estou encontrando dentro de mim. Ela está lá. E é aí que esta foto da Aimee Mann entra na história. Sim, ela tem uma ligação com o que tenho falado até agora. Quando entro em parafuso, procurando sentido e intensidade para a minha vida, algumas coisas me despertam uma vontade de voltar para dentro de mim e vasculhar tudo e colocar um grito longuíssimo pra fora. E ver e ouvir Aimee Mann me fez sentir isso e ainda me faz, se não fosse isso, não estaria escrevendo esse post ouvindo The Forgotten Arm.

Segunda-feira, 22 de Dezembro de 2008

A história do Zorro

Continuando as histórias do meu vô. Todos os cachorros que ele teve eram chamados de Zorro (com exceção de um, que foi contemporâneo de um outro Zorro). Na verdade, todo cachorro era chamado de Zorro. Uma espécie de sinônimo no dicionário dele. "Cachorrro, s.m. Animal doméstico também conhecido como Zorro". Demorei um tempo para me tocar que, quando se falava "O cachorro do meu vô, o Zorro", as pessoas logo imaginavam que fosse um cachorro preto. Não necessariamente. Mesmo a cachorrinha (sim, fêmea) de casa já foi chamada de Zorro.
Mas isso é para contar a história de um Zorro que ele teve quando criança - aqui já entra a discussão "o que é verdade, o que é ficção", não sei se o uso da palavra Zorro para isso já vinha da infância. De qualquer forma, meu vô tinha a peculiar característica de contar uma história tantas vezes que ela ficava sendo fato verídico). O resumo da história era mais ou menos o seguinte. Ele tinha um cachorro, chamado Zorro e, quando vinha chegando o mês de agosto, o pai dele disse que tinha que cortar a ponta do rabo dele. Agosto é mês do cachorro louco e essa é a única vacina para isso. Mas meu vô e os irmãos ficaram com dó do Zorro e não deixaram o pai cortar a ponta do rabo. Chegou o mês de agosto e o Zorro começou a ficar agressivo. O pai do meu vô disse que era melhor prender o cachorro, porque ele devia estar ficando louco. Amarrou o Zorro num pé de mamão. Chegou um dia e o cachorro começou a espumar e tentar morder tudo e todos. Mordeu as pedras a sua volta e até o pobre pé de mamão. Daí o pai do meu vô falou que ia ter que sacirifcar o pobre bicho. Pegou a espingarda, todos começaram a chorar, mas ele fez o que tinha que ser feito. Nessa parte meu vô, em geral, começava a chorar quando contava a história. Depois disso, enterraram o Zorro e falaram umas palavras bonitas. Um mês depois, olharam para o mamoeiro e ele estava dando abacate, maçã, pêra etc. Tinha ficado louco também.
Se fosse só isso a história, ela se perderia no monte de casos que ele contava. A questão era a intepretação. Ele realmente chorava ao contar a história e, a cada vez, acrescentava mais algum detalhe, muitos deles dramáticos. A questão é que um dia a gente chamou ele para contar a história para uma pessoa que ainda não a conhecia. Não lembro quem era, mas como não conhecia a história devia ser alguém que acabara de ser "introduzida" à minha família. Pegamos a pessoa, levamos ao meu vô e pedimos para ele contar a história do Zorro (outro fato curioso, apesar de todos os cachorros chamarem Zorro, a história do Zorro era essa. Havia outras histórias sobre cachorros, obviamente Zorros também, mas essas outras precisavam de uma descrição mais específica). Era durante uma festa. Ele começou a contar a história e, no momento da tragédia, foi acrescentando detalhes e mais detalhes, chorando. E acabou a história. Não foi até a parte do mamoeiro que ficou louco. O que era para ser uma piada elaborada, virou um trauma de infância. Daí lembro de ver a pessoa que estava ouvindo a história ficar com aquela cara "nossa, porque esses doidos fizeram o vô deles lembrar dessa coisa tão triste". Daí cutuquei ele, falei "E o final da história?". E ele "Que final?". Eu "E o pé de mamão? ". Daí ele fez aquela cara de estar pensando, de que estava tentando lembrar de algo que aconteceu há muito tempo. Lembrou e terminou a história.

Sexta-feira, 19 de Dezembro de 2008

Rebeca Yokoi (bibi) 1995 - 2008